GIOVANNI REALE E A "SAGGEZZA ANTICA"
24/01/2013
Ubiratan Iorio, Membro del Comitato Scientifico e Senior Fellow del Centro Tocqueville-Acton Italia, com sede em Roma. (Publicado em dezembro de 2008, em português, no site do Istituto Tocqueville Acton da Itália)
Link: http://www.cattolici-liberali.com/pubblicazioni/PublicPolicy/international/2008/GiovanniReale.aspx
Não há palavras suficientes para descrever a alegria intelectual e espiritual que me proporcionou a leitura de Saggezza Antica – Terapia per i Mali dell'Uomo d'Oggi, do filósofo italiano Giovanni Reale, publicado pela Loyola, tradução de Silvana Cobucci Leite, com o título "O Saber dos Antigos – Terapia para os Tempos Atuais". Recebi-o em evento realizado em agosto último em São Paulo, coordenado por meu prezado colega e amigo Nivaldo Cordeiro, em que discutimos a importância das obras de Ortega e Gasset e Eric Voegelin para os difíceis dias em que está submerso o nosso mundo. Tratando-se de regalo do Nivaldo, fiz o livro "furar a fila" e passei-o à frente de dezenas de outros que, preguiçosamente, esperam enfileirados na estante do escritório. Para que fui fazer isso? Na metade do livro, comprei mais dois do mesmo autor, Corpo, Alma e Saúde – O Conceito de Homem de Homero a Platão e Il Valore dell'Uomo, este escrito com o Cardeal Angelo Scola e ainda não traduzido para o português, além de encomendar Il Pensiero Occidentale dalle Origine ad Oggi, escrito a quatro mãos (ou a duas, se o fizeram em manuscrito) com o famoso filósofo Dario Antisseri. Com isso, a fila ficou desorganizada, mais parecendo, para minha surpresa, aquelas da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil, dos hospitais públicos ou do INSS... Dado isto, estou pensando em alocar uma senha de atendimento para cada livro...
ANGUES IAM MORDENS CALCANEOS VIRIS OECONOMIA !
(E AS SERPENTES JÁ PICAM OS CALCANHARES DOS HOMENS DA ECONOMIA)!
23/01/2013
Ontem alertamos para o fato de que os gramados dos Ministérios da Fazenda e Planejamento estavam repletos de serpentes escondidas e prontas para, sorrateiramente, darem os seus botes. Pois não se passou nem um dia e perigosas áspides (cobras naturais da Europa, tal como o homem que comanda a Fazenda, nascido na bela Gênova) já se deliciam picando os calcanhares branquelos dos responsáveis pela política econômica.
Como escrevemos diversas vezes, essas tentativas da pior equipe econômica de todos os tempos de “turbinar” a economia, ou aumentar o pibinho mediante expansão do crédito e mágicas amadorísticas sempre vão fracassar. As víboras da inadimplência, dos calotes e do endividamento, de um lado, e cascavel da inflação, de outro, já dão seus primeiros botes.
Assim, os atrasos acima de três meses como proporção do PIB atingiram 7,8% em novembro último, contra 5,7% em novembro de 2011; o endividamento das famílias como percentual da renda auferida nos últimos 12 meses chegou a impressionantes 44,6%, também em novembro, contra 39,1% no mesmo mês de 2011; o mercado financeiro já revê pela terceira vez consecutiva a expectativa de inflação (medida pelo IPCA) para cima, agora para 5,6%; e o boletim Focus, que reflete pesquisa coordenada pelo Banco Central, reajustou para baixo a estimativa de crescimento do PIB, em 2013, para 3,19%, já projetando para 2014 uma inflação de 5,5%. São otimistas esses caras.
MULTIS ANGUES LATET IN HERBA AERARIUM!
(HÁ MUITAS SERPENTES ESCONDIDAS NO GRAMADO DO ERÁRIO)
22/01/2013
Os comandantes de nossa economia, no desespero de transformar o pibinho em pibão, estão articulando novas trapalhadas que só irão agravar a falta de coordenação entre poupança e investimento, ou seja, irão bagunçar de vez a estrutura de capital da economia.
A esse propósito, podemos nos remeter - tal como Machado de Assis em A Mão e a Luva, ao descrever o encontro fortuito entre Estácio e Guiomar nos jardins de uma chácara na bucólica Praia de Botafogo do século XIX - ao poeta Virgílio (Eclogae 3.93): “latet anguis in herba” (há uma cobra escondida na grama)! Peçamos desculpas à memória do grande poeta e adaptemos sua frase ao caso brasileiro, escrevendo: multis angues latet in herba aerarium, ou seja, há muitas cobras escondidas no gramado do erário, que é como os romanos chamavam o Tesouro Público. Em termos – digamos - menos literários, isto equivale à afirmativa de que em baixo desse angu tem caroço... Aliás, depois de tantas manobras contorcionistas e malabarísticas de Mantega & Cia para ocultar o verdadeiro estado das contas públicas, a experiência tem mostrado com clareza contundente que os angus desses economistas têm caroços e suas tubas têm gatos entoando a incompetência de seus donos e miando hinos de louvor ao estado onipotente.
AS DUAS REALIDADES: UMA TRISTE REALIDADE
21/01/2013
Ubiratan Iorio, Membro del Comitato Scientifico e Senior Fellow del Centro Tocqueville-Acton Italia, com sede em Roma.
(publicado em agosto de 2008, em português, no site do Istituto Tocqueville Acton da Itália)
Link: http://www.cattolici-liberali.com/pubblicazioni/PublicPolicy/international/2008/agosto2008.aspx
Quem, movido por alguma recôndita premência do espírito, sentir necessidade de compreender o mundo – e, por inclusão, o Brasil – moderno precisa ler duas obras inexcedíveis em acuidade, bom senso e erudição e que, adicionalmente, servem de aviso, como um grande semáforo vermelho a piscar apontando para perigos à frente. Refiro-me aos livros A Rebelião das Massas e Hitler e os Alemães, respectivamente, do filósofo espanhol José Ortega y Gasset, publicado em 1930, e do também filósofo alemão Eric Voegelin, que reúne onze preleções proferidas no verão de 1964 na Universidade Ludwig Maximilian de Munique.
O primeiro talvez seja mais conhecido – ou menos desconhecido - aqui no Brasil, mas ambos são pontos de partida obrigatórios para a compreensão daquilo que um “caipira-pira-pora”, em linguagem tosca, porém educado sob valores morais sólidos, exprimiria como “Eta mundo doido, sô!” Com efeito, a quem quer que não tenha abdicado de valores transcendentais, parece que nosso velho planeta está de pernas para o ar, com o aspecto de uma casa com todos os móveis revirados, gavetas abertas, roupas em desalinho nos armários, sujeira em todos os cômodos, quadros tortos nas paredes e poeira abundante. O “certo” e o “errado” ganharam aspas, o belo passou a ser rejeitado e o feio a ser glorificado, o pudor transfigurou-se em vício e o despudor em virtude, o recato passou a ser caretice e a libidinagem estilo de vida, por imposição dos ditames do relativismo moral e da ditadura politicamente correta, que vêm levando há décadas as massas a comportarem-se como grandes varas de porcos correndo para o abismo, mas sem a consciência de estarem correndo para o abismo e – o que não é menos grave – achando que não estão correndo para a própria destruição, mas para a libertação e a salvação.
A IMPORTÂNCIA DOS INTITUTOS MISES NA DIFUSÃO DAS IDEIAS
19/01/2013
Mises costumava dizer que as ideias são mais poderosas do que exércitos. E Oliver Wendell Holmes (1809/1894), médico, professor, palestrante e escritor americano, por sua vez, afirmou enfaticamente que a mente humana, uma vez dilatada por um novo modo de ver o mundo, nunca volta às suas dimensões originais. De fato, ao conhecer uma nova ideia, um homem nunca pode retornar ao que era antes, mesmo que o queira. Um problema aparente é que essas constatações parecem funcionar tanto para as boas quanto para as más ideias. Mas não temos por que desanimar com isso, pelo contrário, temos que buscar sabedoria para agir na certeza de que viver nada mais é do que enfrentar um problema atrás do outro e o que caracteriza os grandes homens, os ativos e os corajosos, o que os diferencia dos pequenos, dos acomodados e dos poltrões, é a maneira como cada um encara o desfile de problemas que formam a estrada da vida.
O quero dizer é que se defendemos as ideias certas - aquelas que são capazes de tornar melhor a vida dos indivíduos respeitando a liberdade de cada um - temos obrigação não apenas de lutar por elas, mas de dilatar o maior número de mentes com essas ideias. Não é qualquer exagero afirmar que agindo assim, estaremos sendo solidários com nossos semelhantes, mesmo que estes, xom as mentes ainda desorientadas no momento, não entendam isso.
PARDAIS FATAIS
14/01/2013
Está lá, no jornal de ontem, domingo, uma notícia capaz de abalar a paciência até do velho Jó, mas insuficiente para mexer sequer com o brio ou mesmo com um fio de cabelo da maioria dos brasileiros, daqueles fios do braço que ficam ouriçados sempre que nos enraivecemos. A prefeitura - ou "malfeitura" - carioca arrecadou em 2012 perto de R$ 175 milhões com multas de trânsito, mas sabem quanto aplicou em "ações educativas"? Apenas ínfimos 0,3 % desse total. Foram impostas na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro simplesmente 2,4 milhões de multas no ano passado, o que equivale a 0,75 infrações por segundo, 4,6 por minuto, 277 por hora, 6.666 por dia, ou 200.000 por mês.
Desse impressionante e revoltante total cerca de 70%, isto é, R$ 168 milhões em multas, foram aplicadas pelos execráveis, imponderáveis, intragáveis, irracionais e infernais “pardais” - que, cá entre nós, deveriam ser chamados de corvos, já que pardais são avezinhas simpáticas e incapazes de fazer mal a qualquer mosca, mesmo alguma mais simpática ao libertarianismo que venha a pousar na cabeça do prefeito.
OCCASIONAL PAPER #10: O PAPEL DA QUARTA PROPOSIÇÃO FUNDAMENTAL DE J. S. MILL NA TEORIA AUSTRÍACA DOS CICLOS ECONÔMICOS
1. Introdução
A Quarta Proposição Fundamental de John Stuart Mill (1806-1876), formulada em 1848, no Livro I, capítulo V, dos Principles, na forma de um aforismo ("demanda de mercadorias não é demanda de mão de obra"), é um dos elementos decisivos para distinguir a “macroeconomia” dos austríacos e particularmente a de Hayek da macroeconomia da mainstream economics. Em todos os modelos macroeconômicos modernos, de tintas keynesianas ou não, os níveis de gastos de consumo e de investimento movem-se no mesmo sentido. Nesta famosa proposição, contudo, Mill sugere que a demanda de bens de consumo e a demanda de investimentos podem mover-se em sentidos opostos. Tentaremos mostrar como é lamentável que Keynes, noventa anos depois, demonstrasse não ter compreendido sua essência e enveredado pelo caminho dos “agregados macroeconômicos”, no que foi seguido, infelizmente, pelos monetaristas. Tal negligência acabou influenciando de modo absolutamente negativo praticamente toda a macroeconomia ensinada nas universidades e – o que é pior – as práticas dos governos de todo o mundo, desde os anos 30 do século XX.
SEJAMOS OTIMISTAS!
07/01/2013
Quero começar o ano escrevendo coisas boas, que nos possam ajudar a enfrentar o verdadeiro hospício estatista em que transformaram esse nosso mundo, especialmente em minha área de maior interesse, a economia. Para ser sincero - aliás, como sempre tento ser -, só consegui encontrar um tema que atende a essa minha justa busca por otimismo: a curiosidade - que tento transformar em interesse e, posteriormente, em conhecimento - cada vez maior de jovens pelos ensinamentos da Escola Austríaca de Economia e que tem levado a um notável crescimento da tradição de Carl Menger.
Sem qualquer exagero, tenho ficado impressionado com o número de mensagens de jovens de todas as partes do Brasil e de outros países, muitos deles estudantes universitários, mas também vários alunos do ensino médio, pedindo orientação para que tomem maior conhecimento com as ideias libertárias de Mises, Hayek e outros economistas austríacos. Alguns são professores universitários dos lugares mais distantes que se possa imaginar, solicitando diretrizes curriculares e reading lists. Como isso é bom! Todos eles queixam-se de que em suas faculdades ou colégios praticamente todos os seus professores ou colegas ou são keynesianos ou marxistas (o que, para mim, dá no mesmo, pois keynesianos nada mais são do que marxistas, digamos, "domesticados").
Jan. 2013 - ELES SÃO RUPESTRES!
Artigo do Mês - Ano XII– Nº 130 – Janeiro de 2013
Economistas e comentaristas de economia costumam falar bastante nos fundamentos macroeconômicos, que são os chamados “três regimes”: fiscal, monetário e cambial. A Escola Austríaca não divide a economia em macro e micro, mas aceita que esses três regimes devem servir cada um para sustentar os outros dois e, além disso, trabalha com outros fundamentos, que posso chamar aqui de fundamentos austríacos, que são a liberdade individual (incluída, obviamente, a liberdade no campo da economia), a propriedade privada e o respeito aos contratos e regras do jogo pré-estabelecidas. A esses a chamada Economia Personalista acrescenta fundamentos de natureza moral, que são aqueles consagrados pela tradição judaico-cristã e que podemos resumir, para simplificar, na frase: é proibido roubar e assaltar (inclusive o bolso do contribuinte).
Neste artigo, queremos dizer que todos esses fundamentos – os macroeconômicos, os austríacos e os morais – foram ou estão sendo destruídos, seja pela atual equipe econômica, seja pelo chamado “núcleo político” do governo. Vamos nos ater, no entanto, aos primeiros.
ANO NOVO, VELHOS PROBLEMAS
31/12/2012
Este artigo tem uma história curiosa: publicado em 07/01/04 no Jornal do Brasil, foi escolhido para tema da prova de Português realizada naquele ano, em um concurso para o Poder Judiciário do estado do Rio de Janeiro. Os doutos formuladores da prova elaboraram 20 questões sobre o meu artigo sem que eu soubesse, pois ninguém me pediu autorização para tal (o estado não paga direitos autorais)! No dia seguinte ao da prova, uma segunda-feira, minha secretária me disse algo como: “Puxa, Professor, o senhor me derrubou na prova de ontem”... Ao saber que minha modesta saudação ao ano de 2004 fora tema de um concurso público, pedi a ela as questões da prova e, por curiosidade, tentei resolvê-las. Estava repleta de perguntas sobre anacolutos, sístoles, diástoles, metaplasmos e aquelas coisas que os professores adoram incluir em provas, além de perguntas do tipo “o que o autor quis dizer com tal frase”?... Ao pedir a ela o gabarito, verifiquei que, das 20, acertei apenas 8... Disse então a ela: “Console-se porque não derrubei só você, derrubei a mim também”. Resumindo: descobri que os autores das questões sabiam mais sobre o que eu quis dizer no artigo do que eu mesmo! Foi minha única reprovação em português... Coisas da vida. Reproduzo hoje o artigo ipsis litteris, porque não perdeu atualidade.
THEMIS E PINOCCHIO
30/12/2012
Na riquíssima mitologia grega, Themis representava a deusa da Justiça, da lei e da ordem; protegia os oprimidos; era a segunda esposa de Zeus, sentava-se ao seu lado e lhe dava conselhos; filha de Urano e Gaia, era por sangue uma titã. Personificava a ordem e o direito divinos e era considerada a deusa da Justiça, austera e com os olhos sempre vendados e tendo nas mãos uma balança e uma espada. Os romanos a chamavam de Justitia.
Mas Themis parece ter ficado lelé da cuca ou, no mínimo, perdido aquela compostura que podemos observar em todas as suas representações em estátuas e estampas, tão comuns nos escritórios de advocacia. Certamente, o comedimento e a discrição são exigências a que todo e qualquer ministro, seja do Judiciário ou do Executivo, deve estar sujeito, mas talvez a função de ministro da Justiça seja uma das que mais exigem tal sobriedade de comportamento. Nosso atual ministro, dentro do quadro geral de mediocridade que campeia no atual governo, sempre me pareceu, independentemente de pertencer ao partido ao qual pertence, um homem sóbrio e lúcido, desde quando era deputado federal. Inclusive na maneira elegante de se vestir, no modo de falar e na ausência daquele vestuário vintage de revolucionários do Leblon, daquela habitual aparência de sujo, de envolvimento em negócios suspeitos e das barbas ou cavanhaques característicos e de mau gosto que seus correligionários costumam adotar, certamente em homenagem aos ídolos Fidel e Che. Mas o viés partidário, ao que parece, arranhou-lhe a usual compostura em dois episódios recentes.
THE REINDEER AND THE ELF ( OPUS #2)
29/12/2012
Muitas vezes me pergunto quando chegará o tempo feliz em que poderei escrever artigos sobre nossa economia que sejam elogiosos ou que, pelo menos, não sejam críticos ou ácidos. Confesso que isso me incomoda, porque quem me conhece sabe que nada tenho de mal humorado, arrogante ou mordaz. Quem duvidar do que estou dizendo pode perguntar a qualquer aluno ou ex-aluno ou a qualquer pessoa que me conheça bem, que ele ou ela lhe dirão, pelo menos, que: (1) gosto de usar o bom humor como ferramenta didática, para tornar interessantes e mais leves assuntos normalmente pesados; (2) tenho verdadeiro pavor a reprovações de alunos, porque me considero em constante aprendizado, apenas sou mais velho do que eles e, portanto, quando tinha sua idade média, talvez soubesse até menos do que hoje eles sabem; e (3) costumo ser um sujeito extremamente educado – com pouquíssimas explosões - atributo que devo, certamente, a meus pais (incluindo as raras explosões).
Mas, quando se trata de asneiras praticadas por cabeças coroadas do estado, aí passo por uma transformação muito forte: embora não fique verde nem meus músculos estufem a ponto de rasgarem minhas roupas como os do Hulk, uma espécie de cólera santa - para lembrar Nelson Rodrigues -, toma conta de mim. Por isso, a exemplo do que escrevi ontem, tenho que repetir a reprovação à rena do nariz vermelho e a seu duende da economia.
APODRECIMENTOS NOS FUNDAMENTOS (OU: THE REINDEER AND THE ELF)
28/12/2012
Esse governinho de um quarto – ou um oitavo? - de tigela que aí está conseguiu destruir em pouco tempo um trabalho que, se não foi completo, pelo menos foi executado no sentido correto durante os oito anos de governo dos tucanos, pelos quais, devo dizer, nunca morri de amores. Certamente para desfazer os temores que se fortaleceram com a vitória de Lula em 2002 – já que aquele que nunca sabe de nada passara mais de vinte anos expelindo socialismo raivoso de seu boquirroto aparelho fonador -, o então novo governo, em seu primeiro mandato, foi forçado a respeitar o que havia dado certo (e que o PT sempre dissera que não daria): o Plano Real. Assim, durante a gestão de Palocci na Fazenda, para surpresa de muitos, o governo petista não mexeu substancialmente nos chamados fundamentos macroeconômicos, a saber, os regimes monetário, fiscal e cambial. É verdade que o lulopetismo já emitia sinais de que nunca abandonara seu cacoete estatista, ao aumentar o número de ministérios, os cargos DAS, a ocupar a máquina do estado com a companheirada despreparada, a tentar amordaçar a imprensa e controlar a produção de vídeos e filmes. Mas, até então – e olhando apenas para a gestão da política econômica - nada que alterasse os três regimes nem que ameaçasse a estabilidade de nossa moeda. Inflação dentro das metas, contas públicas precárias, mas sem se deteriorarem e câmbio flutuante, que ajudava a sustentar a inflação dentro das metas e a acumular reservas internacionais, tudo isso em um quadro de crescimento da economia mundial, embora precário porque movido a taxas de juros artificialmente baixas e a endividamento interno.
ESCRAVOS, MAS SATISFEITOS!
27/12/2012
"Nada é tão desalentador como um escravo satisfeito". A frase, postada anteontem no facebook, atribuída ao famoso anarquista mexicano Ricardo Flores Magón (1874-1922), por me levar a pensar no quanto é tristemente verdadeira, me deu a ideia que procurava para minha postagem de hoje.
Nunca me considerei um anarquista. No plano da filosofia política, estou mais para um, vamos dizer assim, minarquista conservador (se é que existe tal coisa). Minarquista porque concordo com os que acham que o papel do estado não pode ser mais do que assegurar os direitos negativos dos indivíduos, ou seja, garantir que estes não sofram coerção física e moral, inclusive por parte do estado. E conservador no sentido de que, embora defenda o estado laico, sei que isso não significa estado ateu e luto pela tradição moral judaico-cristã, o que me leva a rejeitar, tanto pela fé como pela razão – já que ambas sempre caminharam juntas - muitas propostas de "transformações" da sociedade, como as tentativas de mudar artificialmente e por decretos a ordem espontânea que gerou a família, legalizar o aborto, o casamento de pessoas do mesmo sexo, as drogas pesadas, as políticas afirmativas, etc.
CONTEMPLANDO O PRESÉPIO
24/12/2012
Hoje não é dia para escrever sobre economia nem sobre política. Nesta noite os cristãos de todo o mundo celebram, diante do Presépio, o maior acontecimento da história da humanidade. O amor de Deus refulge no coração dos homens, "porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16).
O verdadeiro espírito do Natal é a mensagem de esperança representada por aquele recém-nascido em uma humilde manjedoura, que deseja nesta noite estar presente em todos os lares cristãos – e, por que não dizer, em todos os lares -, porque a esperança genuína, que se celebra há dois mil e doze anos na noite de 24 de dezembro, é universal e necessária para a própria felicidade da pessoa humana, embora muitos não creiam nela. É a Spes Salvi, a esperança que nos salva; que nos enche de alegria; que é alento para as árduas lutas desta vida; que nos fortifica para a outra, a eterna; e que nos move para diante, em busca de nossos bons propósitos e da vitória final, em uma civilização infectada pelo laicismo mundano, por doutrinas exclusivamente utilitaristas e pela desesperança.
LE ECONOMIE DEL BRASILE E DELL´ITALIA: SIMILITUDINI E DIFERENZE
23/12/2012
Articolo pubblicato originariamente in: Itália Nossa, rivista della colonia italiana in Rio de Janeiro, Anno VI, n. 28, 2007.
Vi sono differenze e similitudini tra l'economia brasiliana e quella italiana, come d'altronde esistono con qualsiasi altre economie. Anche se considerassimo solo gli aspetti in cui le nostre attività economiche hanno in comune, è possibile, per ciascuna, imparare dall'esperienza dell'altra. Oltre a ciò, certamente, l´intensificarsi delle transazioni economiche tra imprese brasiliane e italiane, non sol tanto nell'ambito dei commercio, ma principalmente nei campi della tecnologia, dell'educazione e dei servizi, potrà essere un elemento di grande importanza per lo sviluppo dei nostri Paesi.
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