BRASIL: LEVANTA-TE E ANDA!

12/05/2016

go!Com o afastamento da presidente nesta madrugada, depois de treze anos sentado de frente para o passado, o Brasil acaba de fazer um giro de 180 graus e sentar-se de frente para o futuro. Sem dúvida, isso é motivo de júbilo, mas sob nenhuma hipótese significa que nossa gente possa iludir-se com a alegria da libertação do jugo que lhe foi imposto pela incompetência, corrupção, a arrogância, a ideologia macabra e o projeto criminoso de poder do partido dito dos trabalhadores, que infernizaram nossas vidas desde 2003 até o dia de hoje.

A crise econômica deixada por essa gente é tão grande que mesmo na hipótese de o novo governo adotar todas as medidas corretas, levaremos ainda um bom tempo para voltarmos a crescer de maneira sustentada.

 

Ótimo, nos viramos no sentido do futuro, mas ainda estamos sentados e parados e agora é preciso andar, de preferência correr, para alcançarmos o que todos almejamos: uma sociedade de homens livres, regida por leis concisas, que valorize as liberdades individuais, livre da praga do ódio de classes que os bolivarianistas se esforçaram para incentivar, com valores morais sólidos, abolição do viés ideológico na educação, meritocracia, política externa voltada para o interesse dos brasileiros (e não aquela dos acordos adulterinos com ditaduras comunistas) e um sistema político livre dos vícios desse absurdo presidencialismo de coalizão.

O papel de nosso povo – o mesmo que saiu diversas vezes às ruas para exigir o impeachment – neste momento é o de, parafraseando a passagem do Evangelho em que Jesus ressuscitou Lázaro, bradar: “Brasil: levanta-te e anda!”

No curto prazo, o maior desafio de Temer é, sem dúvida, consertar os estragos que os “desenvolvimentistas” e keynesianos de meia tigela fizeram na economia e para isso a escolha de Meirelles parece ter sido correta, porque vai sinalizar para a responsabilidade fiscal e monetária, bem como para as reformas de que tanto o país carece, a saber, a previdenciária, a tributária, a administrativa, a desburocratização, a profissionalização dos funcionários do Estado e a retomada das privatizações.

No entanto, os economistas austríacos, como sempre – e essa parece ser a nossa sina -, embora felizes com a escoimação das práticas autoritárias daqueles que expulsamos democraticamente do poder, colocamos desde já nossas barbas de molho, por diversas razões, das quais vou enumerar apenas três.

A primeira é de natureza fiscal. Ao primeiro sinal emitido pelo novo governo, de que, “para equilibrar o orçamento público, teremos que exigir sacrifícios temporários da população e que, por isso, pretendemos aumentar a carga tributária”, teremos que responder com um sonoro não! Cortem gastos, privatizem, vendam prédios e terrenos, empenhem as joias dos reis do Planalto, façam, enfim, o que quiserem, mas não aumentem impostos! Meirelles SAE, sem dúvida, o quão importante é a responsabilidade fiscal, mas terá condições políticas para evitar novos assaltos tributários aos nossos bolsos? Esperemos atentos.

A segunda é de natureza acadêmica. Guardemos vigilância contra aquelas tentativas de reativar a economia com expansões da moeda e do crédito, porque toda essa crise é produto exatamente de expansões de moeda e crédito feitas no passado, especialmente depois de 2008! Crises, como ensina a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos, desaparecem quando os investimentos errados que foram feitos em resposta a estímulos artificiais de crédito – que fizeram brotar a ilusão de que seriam rentáveis – vão sendo naturalmente eliminados. A partir daí, a economia volta ao normal e tudo o que ela precisa para crescer pode ser resumido nestas duas palavras: liberdade econômica! O exemplo da depressão de 1920-1921 nos Estados Unidos é emblemático. A crise resulta do excesso de Estado e, portanto, supor que poderá ser resolvida com mais Estado é um terrível engano.

Por fim, há o componente político. Ou acabamos com esse doentio presidencialismo de coalizão e esse excesso de partidos e partimos para um sistema parlamentarista, com partidos programáticos, ou nada feito, porque todo e qualquer governo, na tentativa de obter maioria, terá que rifar o setor público em alianças bastardas que, além de prejudicarem a eficiência da economia, são um convite impresso em papel pergaminho para a corrupção.

Estamos felizes porque nos livramos de um pesadelo, mas nosso dever é permanecermos atentos. O povo já mostrou que deseja mudanças de verdade.