Abr. 2016 - CORRUPÇÃO: FILHA DO ESTADO E NETA DO RELATIVISMO

Artigo do Mês - Ano XV– Nº 169 – Abril de 2016

crTalvez a palavra corrupção seja a mais ouvida, escrita e falada no Brasil, nessa fase turbulenta de nossa história, em que, simultaneamente ao processo de impeachment da presidente do país, que acaba de sair da Câmara para o Senado, praticamente todos os dias acordamos com notícias de novas prisões de políticos e empresários ligados aos ditos homens públicos, desvios de verbas, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio, tentativas de bloqueios à justiça e outros crimes.

Tenho escrito – e repito – que a raiz da monstruosa crise que se abate sobre nossa sociedade é clara e contundentemente de natureza moral. Sim, enquanto não eliminarmos de nosso convívio o relativismo moral, meliantes potenciais não sentirão empecilhos em suas consciências que os impeçam de delinquir, já que a moral relativista tudo justifica.

 

Por exemplo, os governistas – leiam petistas e assemelhados – acusam o presidente da Câmara de corrupto, na tentativa de desqualificar o processo de impedimento de sua Rainha Louca, mas, ao mesmo tempo, calam-se quando o mesmo processo chega ao Senado para ser comandado por seu presidente, também réu de várias acusações, pelo simples motivo de que o mesmo é seu aliado. Além disso, muitos dos que no último domingo, na votação nominal que aprovou o relatório da comissão da Câmara, bradavam contra Cunha, são também investigados por ... corrupção.

Outro exemplo? Muitos se indignaram quando um deputado enalteceu um torturador dos tempos militares, alegando serem “democratas”, ao mesmo tempo em que os mesmos e seus companheiros enalteciam terroristas conhecidos, que todos sabemos terem lutado não por democracia, mas pela implantação aqui de ditaduras comunistas.

A própria Rainha Louca se gaba de ter sido torturada porque defendia a democracia, quando todos nós conhecemos seu verdadeiro passado: seu bando assaltava bancos para obter recursos para seu projeto de “cubanizar” nosso país.

A moral relativa é assim: o vento que venta cá não venta lá, como diria meu saudoso pai.

Como cantaria Juca Chaves, a hipocrisia é um fato consumado/ na sociedade, onde o ar é depravado...

Sempre existe corrupção quando se trata de poder político, seja da disputa por ele, seja da tentativa de mantê-lo ou de ampliá-lo, porque homens muito dificilmente são santos e porque, em uma análise praxiológica, o fim poder – que é a dimensão política do axioma da ação humana – tem na corrupção um meio sempre eficaz, quando a justiça é precária.

É por isso que Hayek e os demais austríacos sempre foram defensores da necessidade da contenção do poder e de sua limitação. Dois caminhos podem contribuir para esse fim desejável; o primeiro é o famoso sistema de pesos e contrapesos representado pela tripartição de poderes e o segundo é o da redução do Estado, para que as possibilidades de surgimento de oportunidades à corrupção sejam minimizadas.

Os governos do PT que vêm se abatendo sobre nós desde 2003 têm claramente contribuído, dada a natureza nacional-socialista desse partido, para concentrar o poder, seja tentando solapar a tripartição do legislativo pela compra de parlamentares, seja pela tentativa de nomeação de “companheiros” para juízes das cortes de última instância.

Outro fato bastante límpido em se tratando do PT e seu projeto ditatorial de poder – a doença bolivariana – é sua submissão completa ao relativismo moral, que é essencial para a sua sobrevivência, assim como é essencial sua dialética de espalhar o ódio entre as “classes”. Tal submissão, indiscutivelmente, não se limita à simples aceitação do relativismo, mas à tentativa permanente de impô-lo nos campos da educação, com a ideologização desde a mais tenra idade; da cultura, com o apoio a artistas e “intelectuais” relativistas e à comunicação, com a destinação de verbas gigantescas para veículos da grande mídia e para os chamados blogs “chapa branca”.

Por isso tudo, não me surpreendem nem um pouco todos esses escândalos que pipocam dia após dia na sociedade. Quando o Estado inchado e sem qualquer escrúpulo para chegar a seus fins de perpetuar-se no poder se une a empresários compadres e que se beneficiam dessa concentração de poder, o resultado não pode ser diferente desse que estamos presenciando nesses dias de irrequietude e agitação.

O impedimento constitucional da Rainha Louca e a consequente saída de seu partido do poder representam, portanto, uma condição necessária para a redução do problema da corrupção, mas não uma condição suficiente. Para tal, será preciso que seu substituto proceda a corajosas reformas no sentido de diminuir o tamanho e o peso do Estado.

Mas, como base indispensável para essa limpeza, as leis do país precisam refletir valores morais absolutos. Ou acabamos com o relativismo moral ou não teremos o direito de nos queixar.