Jun. 2015 - O ESTADO É UM ESQUEMA PONZI COMPULSÓRIO!

Artigo do Mês - Ano XIV– Nº 159 – Junho de 2015

ponziComo se sabe, um esquema Ponzi ou piramidal é uma operação fraudulenta, que capta aplicadores mediante a promessa de pagar-lhes retornos muito altos, obtidos com o dinheiro pago por novos aplicadores que sucessivamente aceitam entrar no esquema, sem qualquer base em lucros verdadeiros das aplicações. Evidentemente, esse tipo de fraude oferece ganhos de curto prazo altos para iludir e atrair novos investidores, mas quem se apropria das elevadas remunerações são sempre os primeiros a entrarem no esquema, tal como em uma pirâmide: o primeiro deles - o seu criador - ganha mais do que todos os demais, depois os segundos, os terceiros, e assim sucessivamente. Naturalmente, para continuar a pagar retornos elevados, é necessário que o fluxo de pessoas que entram no esquema e o fluxo de dinheiro sejam crescentes. Obviamente, por não existirem retornos reais, já que não há qualquer lastro, o sistema acaba mais cedo ou mais tarde ruindo e, dado que os membros mais antigos são pagos pelos novos membros, estes últimos, então, assumem o

 

prejuízo. Em outras palavras, como se pode ler em http://marketingmultinivel.pt/o-que-e-esquema-ponzi/%20, no topo da pirâmide estão o criador ou os criadores do esquema, que atraem novos “investidores” com a promessa de dinheiro fácil e rendimentos elevados (inclusive oferecem comissões elevadas para recrutar novos “investidores”). Os “investidores” interessados em participar entregam o dinheiro aos que estão no topo e estes pagam o retorno prometido, usando o dinheiro captado pelas entradas e o dinheiro de outros “investidores” que entram depois. Este tipo de esquemas de investimento é fraudulento, punível por lei e só continuará a funcionar enquanto o número de novos “investidores” for suficiente para sustentar os “investidores” antigos na pirâmide.

Essa modalidade de fraude financeira surgiu nos Estados Unidos em 1919, quando Carlo Ponzi, um emigrante italiano, convenceu várias pessoas a investirem dinheiro na sua ideia, com a promessa de um retorno exagerado (50% em prazo curtíssimo), pago mensalmente e utilizando dinheiro de novos membros que entravam. Tratava-se da venda de notas promissórias que, em sete meses, já exigia um número de novos investidores da ordem de 20.000, praticamente impossível de manter-se em crescimento, o que levou as autoridades a investigarem. Logicamente, o sistema começou a ruir por falta de novas adesões em número suficiente para mantê-lo. Logo depois, veio o colapso e Ponzi foi condenado a cinco anos de cadeia. Anos mais tarde, tentou um novo esquema semelhante na Flórida e foi novamente condenado. Em seguida, foi deportado para a Itália, de onde emigrou novamente, desta vez para o Brasil (o homem achava que era mesmo esperto), onde terminou seus dias, no ano de 1949, em um hospital para indigentes na cidade do Rio de Janeiro. 

Um dos casos recentes mais conhecidos desse esquema foi o de Bernard Madoff, chairman da Nasdaq, descoberto em 2008, que enganou bancos, empresas especializadas em aplicações financeiras e muitos milionários. Esta famosa fraude teria alcançado os 65 mil milhões de dólares, o maior golpe financeiro conduzido por somente um indivíduo. Em 2009, Madoff foi condenado a 150 anos de prisão por um tribunal de New York.

No Brasil os três casos mais famosos foram: Avestruz Master (1998), Fazendas Reunidas Boi Gordo (2004) e TelexFree (2013).

Pois bem, você já parou por uns instantes para perceber que o Estado é um caso explícito de esquema Ponzi, com o agravante de ser compulsório? Os que estão no poder, ou seja, no alto da pirâmide, vivem à custa dos que se situam nas camadas inferiores, em proporções crescentes, ou seja, quanto mais inferior a posição na pirâmide, maior o sacrifício exigido e também maiores as perdas.

Somos forçados a enriquecer o Estado, que utiliza argumentos semelhantes aos de Ponzi, Madoff e outros picaretas, disfarçados de “serviços públicos”, de quatro formas distintas, que nos levam inexoravelmente a perder no longo prazo: para sustentar a realeza piramidal e os que lhe estão próximos, nós - os súditos -, temos que “financiá-los” com impostos, dívida interna, dívida externa e emissões de moeda e expansões de crédito sem lastro em poupança. São as leis inexoráveis da Contabilidade (não daquela modalidade “criativa” recentemente criada pelo governo brasileiro, obviamente, mas a do método veneziano ou das partidas dobradas, criado por Lucca Faccioli, no seu famoso livro Summa de Arithmetica, Geometria, Proportioni et Proportionalità, em 1494). 

Tal como no esquema Ponzi, durante algum tempo a coisa se sustenta, e até mesmo as camadas inferiores eventualmente obtêm ganhos, mas, como o sistema exige a entrada permanente de recursos a taxas crescentes, mais cedo ou mais tarde o esquema desmorona como um castelo de cartas. Basta um breve exame da Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos, ou a leitura de O Caminho da Servidão, de Hayek, ou da maioria das obras dos economistas austríacos, ou mesmo do famoso The Calculus of Consent, de Buchanan e Tullock, para entender porque um belo dia (belo?) o sistema desmorona. Para manter-se no alto da pirâmide de Ponzi, tornam-se necessários mais e mais impostos, mais e mais dívidas do Estado e mais e mais moeda. O Estado, no longo prazo, quebra, a carga tributária torna-se insuportável e o desemprego surge como consequência da inflação plantada no passado.

A diferença é que Carlo Ponzi, um estelionatário, nunca obrigou ninguém a ser vítima de sua excessiva esperteza, enquanto o Estado é um estelionatário “legalizado” que, além de nunca ser condenado, ainda é idolatrado por milhões de analfabetos em Economia.

O mundo de hoje, depois do crescimento exponencial do Estado que vem se verificando desde os anos 30, é um claro exemplo, com raríssimas exceções, de um esquema Ponzi estourado. O longo prazo chegou e muitos teimam em não perceber a verdade de que a fraude do Estado-babá chegou ao fim. Que o digam – e apenas para citarmos alguns casos – a Grécia, Portugal, Itália e Europa em geral, Japão, Estados Unidos, China, Brasil e toda a América Latina.

Obviamente, os que estão no alto da pirâmide tentam fazer de tudo para lá manter-se, como, por exemplo, o governo grego. Pois vejam que a Grécia está na bancarrota e mesmo assim seu primeiro ministro socialista Alexis Tsipras “criticou os credores do país por insistirem naquilo que descreve como reformas absurdas que só têm servido para impedir o progresso das negociações para um acordo que evite que o país entre na bancarrota”. (Ver em http://observador.pt/2015/05/31/alexis-tsipras-critica-credores-por-exigirem-reformas-absurdas/).

O povo, por sua vez, que nada entende de economia, geralmente, em qualquer país do mundo e sempre levantando a bandeira rota do “progressismo”, sem o saber e achando que está defendendo os seus “direitos”, sempre se manifesta contra as reformas do Estado, essenciais para desmontarem o esquema Ponzi de que são as próprias vítimas, inocentes úteis - e patriotas inúteis.

No Brasil de 2015, assiste-se a uma hilariante – para não dizer revoltante – discussão sobre a chamada “reforma fiscal”, com muitas vozes desmioladas (no dizer do Professor José Manuel Moreira) jurando de pés juntos que a aludida reforma não é necessária. Claro, estão no alto da pirâmide e não querem perder seus ganhos, sejam materiais ou políticos. Mas não perceberam que o esquema Ponzi estatal já ruiu há muito tempo e que nada, absolutamente nada, em termos de populismo, será capaz de salvá-lo.       

Os padrões da teoria econômica e política que vêm sendo ensinados nas universidades e papagueados sem qualquern reflexão pela mídia precisam mudar com urgência. O fracasso da mainstream economics é, a esta altura, claramente patente. É tempo de se estudar nas universidades e é nosso dever procurar popularizar em linguagem acessível os ensinamentos da Escola Austríaca e da Escola da Escolha Pública.