Dez. 2014 - ALSO SPRACH PIKETTHUSTRA

Category: Artigo do mês
Published on Monday, 01 December 2014 20:08
Written by Ubiratan
Hits: 3322

Artigo do Mês - Ano XIII– Nº 153 – Dezembro de 2014

zaraCabeças e cérebros de socialistas podem diferir em tamanho e forma, mas são basicamente idênticos em conteúdo. Segundo esses seres - que se acham detentores do monopólio das boas intenções -, se A é pobre, então é porque B é rico. A e B podem ser, naturalmente, países, regiões, pessoas, brancos, negros, índios, heterossexuais, homossexuais, mulheres, homens, etc. O corolário dessa grande ilusão, que gosto de denominar de Teorema Fundamental do Subdesenvolvimento, é que, para tirar A da pobreza, é imperioso (inclusive sob o ponto de vista moral) empobrecer B. Não há porque perder tempo nem desgastar as já surradas teclas de meu computador para explicar que tal raciocínio é absolutamente equivocado. Creio que basta lembrar que B pode ser rico e A ser pobre porque um estudou e o outro não; ou porque um é trabalhador e o outro preguiçoso; ou ainda porque o primeiro é inteligente e o segundo néscio; ou, então, porque

 

um é sortudo e o outro azarado; ou um é empreendedor e o outro acomodado, etc. Ademais, a esta altura do campeonato, em pleno ano de 2014, já beirando 2015 e, portanto, quase duzentos anos após o nascimento de Marx, toda e qualquer pessoa minimamente observadora dos fatos do mundo real já deveria estar imbuída da convicção de que a economia e, por extensão, a sociedade, não é um jogo de soma zero, em que A só poderá melhorar se B piorar; de que ambos, A e B, podem melhorar (ou piorar) simultaneamente; enfim, de que a história já nos permite afirmar categoricamente que a forma correta de combater a pobreza não é destruindo a riqueza!

Escrevo tudo isso porque esteve aqui em Macunaíma o economista socialista francês (o que não é de causar espanto) Thomas Piketty, professor da Escola de Economia de Paris e autor do best seller “O Capital no Século XXI”, que afirmou, entre outras sandices, que “é um erro pensar que o Brasil precisa de mais mercado e de menos intervenção na economia”. Disse também que seria necessário aumentar a carga tributária, especialmente o IRPF (ele chega a defender uma alíquota de 80% sobre os “ricos”) e criar o imposto sobre grandes fortunas, um tributo que, onde foi criado, só serviu para desestimular a formação de riqueza, prejudicar o combate à pobreza e provocar evasão de capitais. Ou seja, na cabeça do aludido senhor, teríamos que assaltar B para melhorar a vida de A. Perdoem-me a expressão: um idiota completo e que, segundo a Folha, teria sido citado pela presidente do Brasil em discurso (o que não é, convenhamos, algo que possa causar estupefação). Para ler o amontoado de bobagens contido em sua entrevista, veja aqui.

Se cabeças de socialistas europeus e americanos são verdadeiros depositórios de incompreensões da história e da capacidade de entendê-la, além de vazias de conhecimentos de economia, cabeças de socialistas latino-americanos são piores, porque possuem, além dessas anomalias quase congênitas, neurônios fortemente associados diretamente com o complexo de inferioridade ou de vira-latas...

Assim, basta aparecer algum gringo em nossa comarca – e, se ele for francês, melhor ainda! – para desfilar tolices esquerdistas, para que a mídia se ajoelhe diante do dito cujo, como se o mesmo fosse um gênio.

Ao ler sobre mais esta demonstração da idiotice latino-americana, não pude deixar de me lembrar de Nietzsche e, especificamente, de sua obra “Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém” (em alemão, Also sprach Zarathustra: Ein Buch für Alle und Keinen) escrito entre 1883 e 1885, que descreve os ensinamentos de um filósofo fictício, que se intitulou Zaratustra (ou Zoroastro), depois de fundar o Zoroastrismo. Nietzsche, ao escrevê-lo, como de hábito, usou uma forma poética e fictícia, frequentemente satirizando e tentando ridicularizar tudo o que diz respeito ao Novo Testamento e à religião em geral e incitando o homem a superar essas “coisas do passado” para tornar-se um Übermensch, um ser além-do-homem, mais conhecido como o "super-homem" ou o “homem novo de Nietzsche”.

Como sabemos, o filósofo alemão era defensor do livre mercado, contrariamente ao picareta francês que nos visitou, mas ambos, porém, são profundamente anti-religiosos. Piketty, ou melhor, Piketthustra, Aquele Que Falou - e todos se curvaram diante dele -, chegou a afirmar, em debate de que participou em São Paulo, que Marx teria sido mais importante do que Jesus Cristo para a história da humanidade. Se você leu a entrevista que sugeri acima, certamente não estará nem um pouco espantado com uma afirmativa desse calibre.

Havia pensado em escrever um artigo técnico contestando o pós-profeta do socialismo, mas não vou me deter por ora em críticas acadêmicas ao “francês que assim falou”, pois nas edições 4, 5 e 6 de Mises: Revista Interdisciplinar de Filosofia, Direito e Economia, publicaremos um artigo que é uma crítica demolidora, estritamente técnica, à pseudo teoria de Pikettustra.

Mas recomendo fortemente ao leitor que, por ora, leia o artigo de Robert P. Murphy, “Algumas frases aterradoras contidas no livro de Thomas Piketty”, publicado no site do Instituto Mises Brasil, em 30 de maio deste ano. Para ler essa crítica do Professor Murphy ao novo Zaratustra, clique aqui.

Segundo Murphy, há “vários erros teóricos, bem como flagrantes manipulações de dados, encontrados no livro-sensação do momento, Capital no Século XXI, do francês Thomas Piketty”; há dados deliberadamente adulterados, como revelou o  Financial Times; o economista da Escola Austríaca Juan Ramón Rallo testou empiricamente a tese central do livro - a de que a riqueza dos bilionários aumenta quase que por inércia, a uma taxa maior que a do crescimento da economia - e concluiu que ela não se sustenta; por fim, ainda segundo o mesmo Murphy, Hunter Lewis mostrou que os dados utilizados por Piketty não apenas foram erroneamente interpretados por ele como também foram baseados em extrapolações criadas pelo próprio autor. Leiam o artigo de Bob Murphy, vale a pena!

É de impressionar que tais Zaratustras modernos sejam tratados a pão de ló e endeusados por nossa mídia e nossos (ditos) intelectuais? É evidente que não. É de espantar que seu livro tenha se tornado um best seller? Decididamente, não! É de se estranhar que a Folha e outros órgãos contaminados por jornalistas parciais lhe concedam tanto espaço? É claro que não! E basta ver o que diz sobre ele Paul Krugman, também na Folha, em que chama o amontoado de tolices de Pikettustra de “uma abrangente e magnífica meditação sobre a desigualdade”...

Infelizmente, é mais do que natural essa simpatia dos intelectuais progressistas de todo o mundo pelas ideias expostas no livro, a ponto de relevarem os diversos erros crassos, tanto metodológicos como teóricos e empíricos, encontrados na obra. Como escreveu Bob Murphy, “é simplesmente porque eles endossam o espírito do livro”. Tudo pela “causa”. Se a montanha de fatos do mundo real revelados pela história contraria suas crenças, pior para os fatos e a história...

Sim, odeiam os ricos, se fazem de amiguinhos dos pobres e dos “oprimidos”, detestam os mercados com todas as suas forças, amam o Estado com todo o seu coração, dão pulinhos de alegria como meninas na hora do recreio nas escolas do ensino básico quando falam em “regular o capitalismo”, têm faniquitos de frescos quando propõem controles de preços, adoram um “déficitizinho”, uma “dividazinha” e uma “inflaçãozinha” e abominam o livre comércio e as liberdades individuais.

São idiotas, mas perigosos. Temos que ser implacáveis com gente desse tipo.