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UBIRATAN IORIO
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"Não existe uma escolha entre inflação
e desemprego pela mesma razão que
não se pode escolher entre comer demais
e ter indigestão"

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"Imprimir ordem na desordem consiste,
precisamente, na realização adequada
do Bem, que é medida suprema
de todas as coisas"

(Giovanni Reale)

"

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E A ESTUPIDEZ CAMPEIA...
13/01/2010

Parece que, antecedendo a Copa do Mundo de futebol que será disputada neste ano, já está em pleno curso outra competição, também em nível internacional - o campeonato global da estupidez explícita!
Na Venezuela, o estupidarrão-mor Chávez – a Gralha de Caracas, atual campeão e favorito ao título - decretou o câmbio múltiplo e, não satisfeito, promoveu maxidesvalorizações nas duas novas taxas criadas, uma proeza formidável, que a um só tempo fará explodirem os preços, aumentará a corrupção e provocará escassez ainda maior do que a existente, já que a demanda, no susto, aumentou substancialmente e a economia do país depende quase que exclusivamente de importações. Não satisfeito – e talvez com um olho em algum simétrico ao Nobel de Economia – colocou a sua Guarda Nacional para tomar conta das empresas que ousarem aumentar os seus preços. Haja estupidez!
Na Argentina, a Senhora K, presidente do país, resolveu, por razões políticas, que o Banco Central deveria usar as reservas internacionais para pagar dívidas do governo e, como o presidente da instituição, Martín Redrado - que tem mandato até setembro deste ano e só pode ser exonerado pelo Congresso - recusou-se a fazê-lo, demitiu-o por decreto, além de processá-lo, o que levou o Judiciário argentino a conter seu furor exoneratório e manter Redrado no cargo. Outra formidável estultice!
Em Cabinda, os terroristas do grupo Flec, a Frente de Libertação do Estado de Cabinda, assumiram a responsabilidade pelo ataque contra o ônibus que transportava a seleção do Togo, que estava na região para a Copa Africana de Nações. O chefe dos bandidos confessou que o ataque ocorreu por engano, já que seu alvo não era a seleção do Togo, mas a de Angola, país de quem o grupo quer se separar. Quanta inaptidão!
E no Brasil a insensatez não ficou por menos. Entre inúmeras demonstrações de maluquice, podemos salientar duas. A primeira é o tal “Programa Nacional de Direitos Humanos”, uma verdadeira constituição bolivariana que, entre outras perigosas idiotices, enfraquece o Judiciário, acaba praticamente com o direito de propriedade, proíbe o uso de símbolos ou nomes religiosos em espaços públicos, dá um golpe fatal na liberdade de imprensa e de expressão e defende abertamente o aborto. Esse documento atesta que a estupidez dos artífices dos “direitos dos manos” - de ideologia -, que parecera ter atingido o seu ápice quando da proposta de uma “Comissão Nacional da Verdade”, imediatamente rechaçada pelos ministros militares, mostrou que poderia se auto-superar. O programa, que Lula diz ter “assinado sem ler”, fato, aliás, que por si só já deveria ser suficiente para desqualificá-lo para o cargo mais importante do país, é uma séria ameaça aos princípios democráticos mais rudimentares. Os sujeitos são portadores de uma esquerdopatia tão ensandecida que – apenas para ficarmos com a questão dos símbolos e nomes religiosos – a cidade e o estado de São Paulo teriam que mudar o nome para “Paulo”, Santa Catarina para “Catarina”, o São Paulo FC para “Paulo FC”, a estátua do Cristo Redentor deveria ser retirada do alto do Corcovado e as cidades de Santos, São Salvador e Bom Jesus do Itabapoana, entre centenas de outras, teriam que arranjar outros nomes... A imbecilidade da ditadura das minorias não tem mesmo limites!
A segunda burriquice do país de Macunaíma vem do outrora respeitado Ipea. Seu atual presidente, o petista militante Marcio Pochmann, divulgou um “estudo” que sustenta que, se o Brasil mantiver a política econômica e social que vem sendo executada desde que El-Rei Dom Luiz Inácio I (e – esperamos - Único) chegou ao poder, no ano de 2016 a miséria ou pobreza extrema, arbitrariamente definida para famílias com renda per capita de um quarto de salário mínimo, isto é, de R$ 127,50 por mês, deverá ser zerada. E que a taxa de pobreza, discricionariamente demarcada para unidades familiares com renda per capita de meio salário mínimo, ou seja, de R$ 255,00 mensais, deverá recuar dos 28,8% de 2008 para 4%, mesmo nível dos países desenvolvidos. Que maravilha! O estudo está sendo criticado por todos os “especialistas em pobreza” (que parece ser um novo ramo de economistas), por diversas razões. Fiquemos apenas com uma: será, porventura, que uma renda per capita de R$ 127,51 (em vez de R$ 127,00) torna o seu titular livre da miséria, ou que R$ 255,01 por mês (ao invés de R$ 255,00) faz alguém deixar de ser pobre?
A insensatez, quando guiada por ideologia, torna-se ainda mais insensata!
Sem dúvida, a estupidez campeia...

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QUAL SERÁ, AFINAL, A POLÍTICA ECONÔMICA DE SERRA?...
05/01/2010

O jornalista Raymundo Costa começa sua coluna no jornal Valor Econômico de hoje, com o título “Serra quer mudar sem mexer no tripé”, exatamente assim: “Num país onde a popularidade do presidente é essencialmente atribuída ao êxito da política econômica, o governador José Serra, virtual candidato do PSDB à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é uma voz dissonante. Não raro é possível ouvir Serra dizer que a situação macroeconômica "está péssima". Ele nunca escondeu sua implicância com juros altos e câmbio sobrevalorizado. Mas nunca deixou clara a saída que pretende adotar sem fazer desmoronar o tripé câmbio flutuante, responsabilidade fiscal e meta de inflação”.
Eis aí o problema. E é um baita problema, com duas faces!
Qualquer cidadão tem o direito de concordar ou discordar da política econômica de qualquer governo, mas nossa preocupação é que Serra vem criticando a política econômica desde o governo de Fernando Henrique, em especial o binômio juros “elevados” e câmbio “sobrevalorizado”. Serra foi crítico do Banco Central de Armínio Fraga e continua sendo crítico do Banco Central de Henrique Meirelles. Até aí, nada demais, porque as políticas de ambos são semelhantes – para não dizermos idênticas. A primeira face do problema é que, ao criticar ambos os governos, mesmo sendo o primeiro do PSDB, o seu partido, Serra parece querer marcar posição como economista “de esquerda” ou, como eles preferem se autodenominar, “desenvolvimentista”, algo que até Lula, intuitivamente, deixou de lado desde que foi eleito pela primeira vez. Os “desenvolvimentistas”, desde Getulio, passando por JK e até os “congeladores” de preços dos anos 80 e início dos anos 90, quebraram o país.
A segunda ponta do problema é pior: se você critica alguma política, deve apresentar a sua alternativa a ela. E Serra nunca fez isso, mas afirmações genéricas de que é contra juros “altos” e taxa de câmbio “sobrevalorizada”. Irá ele, caso eleito, baixar a taxa Selic na marra? Voltará o seu Banco Central a controlar a taxa de câmbio, seja fixando-a, seja com “bandas”? E como fazer isso sem mexer no famoso tripé câmbio flutuante, responsabilidade fiscal e inflação dentro da meta?
Nada mais natural se um aluno meu tiver essas dúvidas. E nada mais preocupante se o candidato a presidente que lidera as pesquisas as tiver.
Quando Benjamin Franklin afirmou que "a pior decisão é a indecisão" estava, quando pensamos em Serra, coberto de razão...

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