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UBIRATAN IORIO
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"Não existe uma escolha entre inflação
e desemprego pela mesma razão que
não se pode escolher entre comer demais
e ter indigestão"

(F.A. Hayek)

"Imprimir ordem na desordem consiste,
precisamente, na realização adequada
do Bem, que é medida suprema
de todas as coisas"

(Giovanni Reale)

"

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A LEI DE MURICI E A PALAVRA DO MURICY...
26/07/2010

A frase “é tempo de murici, cada um cuida de si!”, conhecida de todos os brasileiros, foi pronunciada, segundo a tradição, pelo coronel Pedro Nunes Tamarindo, durante a Guerra de Canudos. Em Os Sertões, Euclides da Cunha relata que, com a morte do coronel Antônio Moreira César, a tropa ficou desarticulada e que Tamarindo a teria abandonado, temeroso de perder sua vida na batalha. Ao ser questionado por um subalterno, sua resposta foi a frase hoje famosa, mais comumente citada como "é a lei de murici, cada um cuida de si". O coronel foi abatido pouco depois, quando transpunha o Córrego do Angico e seu corpo foi recolhido pelos adeptos de Antônio Conselheiro, empalado e erguido em um galho, para desencorajar futuras expedições contra o arraial. A lei de murici é, então, um exemplo de falta de coragem, mau exemplo e egoísmo.
O murici é uma fruta típica dos cerrados brasileiros. Mas o Muricy Ramalho é o atual técnico do Fluminense Football Club que, ao ser convidado pelo – ao que parece – eterno presidente da CBF para um dos cargos mais cobiçados no mundo do esporte, o de treinador da seleção brasileira de futebol, disse ao dirigente que aceitaria o convite, mas que, antes, precisava ser liberado pela diretoria do Tricolor, com quem tem assinado um contrato até o final deste ano e a quem já teria dado a sua palavra de que iria renová-lo até 2012. O tradicional clube das Laranjeiras não liberou o seu técnico. A CBF é uma entidade centralizadora, com poderes em demasia, contrária ao princípio da subsidiariedade. Seus cofres estão entupidos, enquanto seus filiados vivem à míngua. Exige exclusividade para os técnicos da seleção (que só têm trabalho mesmo durante as poucas competições oficiais, como a Copa América e a Copa do Mundo) e arrecada fortunas com amistosos sem propósitos realmente esportivos, contra equipes totalmente sem expressão. O Fluminense fez bem em dizer não à CBF!
Cheguei, enfim, ao fato auspicioso que pretendia ressaltar ao postar este pequeno artigo: Muricy, embora triste por não assumir a seleção, declarou que permaneceria no Fluminense, porque é um homem de palavra e, ademais, fazia questão de dar exemplo para os seus filhos de que a palavra empenhada tem um valor moral que nenhuma oferta, por mais milionária que seja, pode abalar. E na tarde do mesmo dia lá estava ele no campo da Rua Álvaro Chaves, comandando o treino de sua equipe!
Fiquei muito feliz com o desfecho do episódio, não simplesmente porque torço pelo Tricolor, mas, sobretudo, pelo belíssimo exemplo de respeito aos valores morais por parte do nosso treinador, nestes tempos em que palavra dada pouco significa, em que expressões como palavra de honra caíram em desuso e em que até mesmo a palavra escrita – impressa em contratos e firmada – é sistematicamente desrespeitada, a começar pelas promessas dos políticos. Como seria bom se o seu exemplo fosse seguido por todos!

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A FALÊNCIA DO WELFARE STATE"...
30/06/2010

A Wikipedia – o “pai dos burros” da era cibernética – define o Estado de bem-estar social ou Estado-providência como “a organização política e econômica que coloca o Estado como agente da promoção (protetor e defensor) social e organizador da economia. Nesta orientação, o Estado é o agente regulamentador de toda vida e saúde social, política e econômica do país em parceria com sindicatos e empresas privadas, em níveis diferentes, de acordo com a nação em questão. Cabe ao Estado do bem-estar social garantir serviços públicos e proteção à população.
Pois bem, os fatos estão sobejamente a mostrar que essa concepção de Estado está falida. Na Europa, foram seis décadas em que os estados gastaram acima de suas possibilidades. O resultado não podia ser outro: dívidas públicas astronômicas (que estão, na média da Europa, em cerca de 90% do PIB), ameaça de inflação, desemprego e um legado moral de gastança que cairá sobre os ombros inocentes das futuras gerações. A Europa, enfim, acordou e hoje vemos diversos países tentando adotar medidas duras para a correção do problema das imensas necessidades de financiamento do setor público. Os governos asiáticos também sinalizam estar despertando, embora preguiçosamente. O governo de Obama ainda não acordou. Parece dormir ainda um sono profundo, povoado por falsos sonhos em que os gastos públicos são capazes de gerar o bem estar de todos...
Na América Latina e no Brasil, os governos (com as honrosas exceções do Chile, da Colômbia e do Peru), permanecem em sono pesado, como indica a manchete principal do jornal O Globo de hoje: "gastos levam contas públicas ao pior resultado em 18 anos”. Ainda é possível encobrir a gravidade do problema, porque o crescimento do PIB e a elevação da arrecadação tributár ia podem, durante algum tempo, fazer isso. Mas a hora do ajuste de contas não tardará e nem falhará...
A bomba vai estourar nas mãos do próximo presidente, seja ele quem for. Quem viver verá.

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ACEITANDO A SERVIDÃO...
08/06/2010

O presidente do Brasil, na semana passada, regurgitou mais uma sandice sobre os brasileiros de bom senso, ao declarar que “o Estado que cobra pouco não pode ser forte”... Não é de causar espanto por tratar-se de mais uma dentre as inumeráveis tolices em que, em linguagem de botequim, nosso mandatário maior parece ser o maior dos especialistas.
Não merece comentários, como tantas outras, essa afirmativa de Lula. O que causa espanto são algumas reações a ela que detectamos na mídia.
A primeira é a atitude de cordeirinhos mansos – ou será de luta para manutenção de privilégios, ou mesmo de burrice explícita? - de muitos leitores nas seções de cartas dos jornais, apoiando a parvoíce presidencial. Alguns, inclusive, chegam a afirmar que a carga tributária brasileira é baixa... Paciência, cada um pode pensar e dizer o que bem entende... Mas, também, ninguém tem qualquer obrigação de calar-se ante asneiras...
A segunda é mais sutil e grave. São argumentos do tipo “pagaríamos de bom grado os altos tributos se os serviços públicos fossem eficientes”, ou “temos uma carga de impostos do primeiro mundo e serviços de terceiro mundo”. Quem pensa assim está aceitando, implicitamente, que devemos continuar a trabalhar até o final de maio para sustentar o elefante estatal, que o Estado – se assim o desejar e por alguma mágica – pode ser eficiente e eficaz e que ele é mais capaz de saber o que é melhor para os cidadãos do que os próprios cidadãos.
É preciso cuidado com essa segunda linha de argumentação. É perigosa. Aceita a servidão do indivíduo ao Estado. Choca-se com uma sociedade de pessoas livres, com o princípio da subsidiariedade (no caso brasileiro) e com a própria dignidade da pessoa humana. Argumentos desse tipo precisam ser desarmados. Qualquer forma de servidão é inaceitável!

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NOTÍCIAS “BOAS” E NOTÍCIAS “RUINS”...
26/05/2010

Ao anunciar o lançamento de um canal internacional da TV Brasil – aquela estatal de comunicação a que ninguém assiste, mas que nos come uma fatia dos impostos que pagamos para empregar algumas dezenas de companheiros –, o presidente Silva afirmou que o novo canal vai divulgar no exterior apenas “uma imagem positiva da sociedade brasileira”, contrapondo-se assim, segundo ele, “à frequente distribuição de notícias negativas sobre o país por parte de empresas comerciais”.
Deduz-se facilmente então, que, para nosso grande “intelectual” do Planalto e seu séquito, aquela parte da mídia que, não dependendo de verbas públicas para sobreviver, pode exercer o seu papel de criticar é a que costuma espargir “más notícias” de nosso país no exterior...
Não há nada de novo nessa forma de pensar. É a mesma de Vargas no Estado Novo, de Hitler, de Mussolini, de Lenin, de Stalin, de Fidel, de Ahmedinejad, de Chávez, de Kim Jonk-il e de outros grandes “democratas”.
Conta outra, presidente Silva...

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TEMPOS DIFÍCEIS
05/05/2010

Vivemos hoje uma época em que os parâmetros tradicionais de julgamento, tais como os mandamentos morais religiosos, os princípios éticos de comportamento derivados de leis naturais imutáveis e as máximas de ordem prática aprovadas nos testes universais da razão e da ação humana parecem não mais corresponder ao mundo real, ou, para usarmos a expressão de Eric Voegelin, à Primeira Realidade.
A impressão que temos é que a maioria das pessoas, mesmo sem negar a correção daqueles mandamentos, valores e princípios, tende a considerá-los como meros padrões tradicionais – simples coisas de nossos antepassados e inteiramente demodées-, como se não tivessem sido consagrados durante séculos pelos usos e costumes e, consequentemente, a enxergá-los como meras prescrições inúteis no que se refere ao que fazer nas circunstâncias e ações práticas de suas vidas. E, assim, tendem a esquecê-los em um empoeirado baú guardado em algum lugar de suas atônitas consciências.
Quando as coisas estão desse jeito, as pessoas de bem não podem se omitir: devem agir, mesmo que sua ação pareça algo temerário, como tentar navegar contra a forte procela do relativismo moral que vem varrendo os mares da sociedade humana.
Para Hannah Arendt, filosofia é pensar e política é agir, ao que acrescento que a economia, assim como todos os atos de nossas vidas, a exemplo da política, também correspondem a um agir. Precisamos lutar pela recuperação moral da ação humana nos campos da política, da economia e da vida integral de cada ser humano, neste ambiente desalentador em que praticamente todos os valores acatados tradicionalmente pela sociedade são, na melhor das hipóteses, questionados como “polêmicos” e na pior, simplesmente, desprezados.
Ora, um ato ou ação, seja no campo econômico, no político ou no da vida pessoal, só pode revestir-se de dignidade se sua prática estiver em conformidade com os valores morais da tradição. É dever de cada um lutar pela re-incorporação desses princípios em todos os campos da ação humana, cada um de nós do jeito e da forma que estiver ao seu alcance.
Precisamos voltar a enaltecer bons exemplos e não desvios comportamentais como faz ininterruptamente a maioria da mídia; temos que recuperar o respeito pelo próximo e não o desrespeito como vemos por aí a torto e a direito; é necessário voltarmos a olhar para a consciência individual como a verdadeira fonte da riqueza moral e do patrimônio ético, se não quisermos que a fuga deliberada do homem à sua transcendência acabe de vez com o que chamamos de civilização, embora, no estado de perplexidade hoje predominante, “civilização” ou “modernidade” possam significar não mais do que o rompimento com o passado e com a tradição, ou seja, exatamente o oposto do que vem a ser.
Todo e qualquer ato, seja político, econômico ou pessoal, reveste-se de algum significado moral: pode ser moralmente certo, neutro ou errado. Por isso, quando um político desviar recursos públicos em benefício próprio; quando homens ou mulheres, para aparecerem em manchetes e capas de revistas, praticarem atos moralmente condenáveis; quando alguém defender a cultura da morte sob o pretexto de que “a mulher tem direito a fazer o que bem entender com o próprio corpo”; quando juízes colocarem criminosos condenados na rua; quando tentarem relacionar o celibato dos sacerdotes com o crime da pedofilia (quando apenas 0,5% do clero respondem por acusações desse desvio e quando praticamente a totalidade dos acusados são membros de outras religiões que não a católica ou, predominantemente, leigos e, portanto, não sujeitos ao celibato); quando empresas privadas participarem de concorrências fraudulentas; quando empresas públicas financiarem atos políticos dos governos que detêm seu controle; quando, enfim, você perceber qualquer ato que fira a tradição moral que herdou de seus pais e avós, não fique quieto! Escreva artigos, ou mande cartas para os jornais, ou critique esses e outros descalabros nas conversas com amigos no trabalho, na universidade, no metrô ou em qualquer outro lugar. Enfim, em uma palavra: aja!
Os tempos são mesmo difíceis, mas, se não mostrarmos coragem para fazer as pazes com o insubstituível legado moral do passado, não teremos futuro!

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O PRIMEIRO SEMINÁRIO DE ECONOMIA AUSTRÍACA NO BRASIL
13/04/2010

O Instituto Mises do Brasil (IMB) realizou, nos dias 11 e 12 deste mês, em Porto Alegre, um evento auspicioso e que fez brotar um fio de esperança em todos os que prezam a boa teoria econômica e, sobretudo, as liberdades individuais. Foi o I Seminário de Economia Austríaca – ou seja, sobre a Escola Austríaca de Economia – realizado no Brasil. O evento contou com a participação de ilustres economistas do Mises Institute dos Estados Unidos, como Lew Rockwell, Joe Salerno, Thomas Woods Jr. e Mark Thornton, bem como de David e Patri Friedman, respectivamente filho e neto de Milton Friedman e dos três acadêmicos brasileiros (isso mesmo, somos apenas três!) que se especializaram no assunto, a saber, os Professores Antony Mueller, da Universidade Federal de Sergipe, Fábio Barbieri, da USP-Ribeirão Preto e o autor destas linhas. Entre os brasileiros não acadêmicos, destacamos Helio Beltrão, presidente do IMB e Rodrigo Constantino, ambos brilhantes e vibrantes defensores da causa das liberdades individuais.
Os temas discutidos foram, entre outros, as vidas de Mises, Hayek e Rothbard, a crise mundial sob a perspectiva “austríaca”, a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos, a questão do “homeschooling”, o debate sobre o cálculo econômico no socialismo, o processo de mercado, a desconhecida depressão de 1920-21 nos Estados Unidos e a atuação do Fed na crise imobiliária. A programação completa pode ser encontrada na página do IMB, www.mises.org.br , que disponibilizará as palestras em breve para os interessados.
Faço questão de deixar registrada a enorme satisfação profissional e pessoal que o evento me proporcionou, depois de ter escrito o primeiro livro sobre o assunto publicado no Brasil (em 1995) e de tantos anos lutando para que os argumentos dos “austríacos” sejam levados a sério diante da arrogância da “mainstream economics”. Para mim – e, certamente, para os professores Mueller e Barbieri – foi motivo de imensa satisfação ser procurado por jovens estudantes de vários estados do Brasil, muitos vindos de distantes cidades do interior e que, cansados da cantilena socialista e keynesiana que campeia em nossos meios acadêmicos, desejam ardentemente abrir os seus espíritos e intelectos a ideias para eles novas e diferentes, como a da Escola Austríaca, que valorizam o indivíduo e mostram, com lógica irrepreensível, que o Estado, na melhor das hipóteses, é um mal necessário e, na pior, um déspota pretensamente esclarecido.
Parabéns à diretoria do IMB! Que venham outros seminários como o de Porto Alegre!

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ENFIM, O BRASIL COM QUE SEMPRE SONHAMOS......
01/04/2010

Foram necessários 510 anos para que o Brasil se transformasse na sociedade livre e próspera com a qual seus filhos, geração após geração, sempre sonharam. O futuro chegou. Ufa!
Temos hoje uma economia de mercado, a lei é justa, concisa e igual para todos, há igualdade de oportunidades desde que os investimentos em capital humano passaram a ser tratados seriamente, os vales saúde e educação que o Estado provê a todos acabaram com a ineficiência da saúde e da educação públicas e permitiram que a liberdade de escolha cumprisse o seu papel. O PIB brasileiro vem crescendo a uma taxa média de 9%, ano após ano, o que em pouco tempo fará de nossa economia a segunda maior do planeta, superando as do Japão e da China.
O setor público agora se restringe a suas funções essenciais, o federalismo é para valer, já que a descentralização de recursos é fato consumado, com o respeito que agora se vê ao princípio da subsidiariedade; a carga tributária foi fortemente reduzida e está em torno de 15% do PIB; a arrecadação dos municípios supera a dos estados e a da União. Não há mais déficits no setor público e o Estado só gasta rigorosamente o que arrecada. Encolheu e tornou-se eficiente no cumprimento de suas funções básicas. Houve uma profunda reforma política e, hoje, podemos votar em ideias e não mais apenas nesse ou naquele candidato, como era antigamente. A democracia passou a ser de fato representativa. Acabou o sistema de cotas raciais e de gênero. O Banco Central ganhou autonomia de fato e de direito, não há mais inflação e a extinção do Banco Central está em adiantado processo de estudo. Existe forte competição na área da previdência, depois da profunda reforma realizada. Também na área dita trabalhista, houve uma grande modernização na legislação. Os direitos de propriedade passaram a ser garantidos e movimentos de baderneiros como o MST foram extintos por falta de interesse dos antigos sem-terra de ingressarem neles, já que a igualdade de oportunidades proporcionada pela boa educação e pela eficiência do sistema de saúde melhorou sensivelmente a vida dessas pessoas, que puderam assim deixar de ser massa de manobra de radicais. A lei penal foi endurecida, criminosos passaram a ser tratados como tal, as polícias foram fortemente modernizadas, o que aumentou sensivelmente a probabilidade de punição a qualquer crime e, com isso, os índices de criminalidade estão bem perto de zero.
No plano ético, as pessoas voltaram a entender a diferença entre o que é certo e o que não é certo, com o abandono do relativismo moral. Hoje, não existem mais programas como o Big Brother, por absoluta falta de audiência. Os valores permanentes do Cristianismo e do Judaísmo voltaram a imperar, houve um reencontro com Deus e, portanto, não existe mais corrupção. Os dias da Semana Santa voltaram a ser de devoção e não mais um simples “feriadão”.Enfim, este é o Brasil com que meus avôs sonhavam quando para cá vieram!
Não, gente - não enlouqueci. É que hoje é o dia 1º de abril...

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A MELOPEIA DOS "JUROS CIVILIZADOS"...
10/03/2010

Instado pelos entrevistadores da Globonews, anteontem à noite, a resumir em poucas palavras a decisão de manter a taxa básica de juros em 8,75% ao ano, que o Copom acabara de tomar, aquele economista foi incisivo ao bradar: “queremos juros civilizados!”
Entendi o que ele quis dizer, mas confesso que me vieram imediatamente à mente duas constatações: a da formação quase que exclusivamente intervencionista oferecida por nossas faculdades de economia e a da conseqüente falta de conhecimento, por parte da quase totalidade dos economistas, dos ensinamentos da chamada Escola Austríaca de Economia. As duas comprovações representam, indiscutivelmente, uma pena, um verdadeiro desastre em termos de interpretação da economia do mundo real.
É evidente que todos nós queremos não apenas juros “civilizados”, mas também saúde, educação, segurança, justiça, infra-estrutura e muitas outras coisas “civilizadas”. Ele quis, certamente, dizer que a nossa taxa de juros, quando comparada às dos outros países, ainda está em um patamar elevado, ou seja, em termos reais, em torno de 4% ao ano, enquanto nos Estados Unidos, na União Européia e no Japão está bem próxima de zero ou, até, igual a zero.
Mas quem conhece minimamente a boa teoria econômica convencional – vale dizer, a Escola de Expectativas Racionais - sabe que os juros necessários para manter a inflação sob controle no Brasil precisam ser maiores do que na maioria dos países por causa das necessidades de financiamento de nosso setor público, de sua deterioração e, principalmente, das expectativas de que tal degeneração vai prosseguir no futuro, a ponto de constituir-se em verdadeira bomba relógio a ser desarmada pelo futuro presidente do Brasil. E quem, além da boa teoria econômica convencional, conhece também a teoria monetária da Escola Austríaca, sabe mais: sabe que as políticas de juros próximos de zero que os bancos centrais mundiais vêm adotando a pretexto de combater a crise não só não vão acabar com a crise, como vão agravá-la; sabe que a crise foi provocada exatamente por políticas monetárias frouxas adotadas no passado, especialmente entre 2003 e 2006, em todo o mundo; e sabe ainda que as necessidades de financiamento assustadoramente crescentes dos governos, com relações dívida interna/PIB ultrapassando os 80%, também são bombas de efeito retardado que terão que ser desarmadas no futuro, se esses governos ditos “civilizados” não desejarem que a inflação surja rapidamente.
Ao invés de “civilizar” artificialmente as taxas de juros, os governos - no Brasil e no mundo - precisam “civilizar” os seus gastos e abandonar definitivamente o que se convencionou denominar de “política monetária”, ou seja, precisam gastar o estritamente necessário e permitir que as taxas de juros, que nada mais representam do que preços cobrados pela renúncia ao consumo - isto é, prêmios ao esforço de poupança -, sejam determinadas exclusivamente pela oferta e pela demanda de “loanable funds”.
Os “austríacos” já sabiam disso há mais de cem anos. Mas, infelizmente, o mundo acadêmico e o dos negócios, dominado pelo intervencionismo e pela política, talvez só perceba isto daqui a mais cem e resolva extinguir os bancos centrais...
Confesso que morro de rir intimamente quando, ao expor essas ideias em salas de aula e palestras, percebo os olhares de espanto que se entrecruzam incrédulos...

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TROÇOS PARA TRAÇAS
03/03/2010

São, sem dúvida, convidativos chamados para as traças aquelas fotografias de nosso presidente e de alguns de seus aduladores-ministros ao lado dos irmãos Castro, os donos de Cuba; uma verdadeira farsa as explicações de nosso mandatário maior sobre a carta que lhe foi endereçada por dissidentes cubanos e que se negou a ler; e uma tergiversação que não resiste a mais do que alguns segundos de argumentos, ou, pensando bem, a mais do que um simples sobrenome – Zelaya - suas declarações de que seu governo tem por norma “não se envolver em assuntos internos de outros países”!
Que o ditador-irmão Raul Castro, com impressionante falta de criatividade, tenha acusado os Estados Unidos pela morte de Orlando Zapata, de modo patético (não no sentido usual de comovente, mas de patetola mesmo), é compreensível e faz parte do estoque de mentiras de qualquer ditatorzinho que se (des)preze. Mas a justificativa (?) do presidente Silva, que chegou a Cuba na terça-feira da semana passada, horas após a morte do prisioneiro que preferiu morrer de fome a continuar na prisão (pelo simples fato de discordar do regime servil que Cuba vem, há mais de cinquenta anos, impondo a seus cidadãos), de que “lamentava profundamente" o falecimento, ao mesmo tempo em que se esquivava escorregadiamente de qualquer contato com os dissidentes que esperavam sua intervenção, sinceramente, envergonha qualquer brasileiro – como, de resto, qualquer pessoa que preze minimamente a dignidade humana e as liberdades individuais!
O presidente Silva, que teve o bom senso, talvez forçado pelas circunstâncias, de nomear para o Banco Central um homem pragmático e alheio a ideologias, é o mesmo que persiste em tentar agradar a todos, mantendo-se refém dos radicais de seu partido em termos de política fiscal, de defesa de pretensos “direitos humanos”, de intervencionismo estatal na economia e, principalmente, de sua política externa, comandada por nostálgicos defensores de um regime que, se nos anos 50 e 60 ainda iludia muitos, hoje não passa de um pacote empoeirado e bolorento de refrões e bordões, comprovadamente fracassados e completamente ultrapassados.
Jogue fora, leitor, as fotos precocemente bolorentas de nosso presidente e seus ministros ao lado dos chefes totalitários do Caribe. Não passam de reles troços para as traças devorarem...

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O MAU EXEMPLO DOS PIIGS
24/02/2010

A situação das economias da zona do Euro está bastante difícil. A causa das dificuldades atuais, que se deverão acentuar no futuro, está na mistura da crise de 2008 com a mania intervencionista dos governos, a pretexto de combater a crise. Os governos dos países europeus e o Banco Central Europeu gastaram rios de recursos dos contribuintes para evitar que bancos que haviam feito maus negócios falissem. Tudo de acordo com os manuais keynesianos que os estudantes de economia são obrigados a estudar desde os anos 40.
O resultado é assustador. Os países que se encontram em maiores dificuldades são os chamados PIIGS (não suporto essa mania de siglas que vem contaminando o noticiário econômico de uns tempos para cá), a saber, Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha: a dívida pública como percentual do PIB e as necessidades de financiamento do setor público, também como percentagem do PIB, esperadas para este ano são, respectivamente, de 80% e 7,3% em Portugal; de 117% e 5,6% na Itália; de 83% e 14% na Irlanda; de 125% e 8,7% na Grécia e de 66% e 9,8% na Espanha. A Grécia, segundo alguns analistas, está por um fio...
Na Europa como um todo a situação não é mais animadora: o desemprego na zona do Euro está em 10% da força de trabalho, as necessidades de financiamento do setor público estão na casa dos 6,5% e a relação dívida pública/PIB está em quase 78% , enquanto esta última variável situa-se em 78% na poderosa economia alemã, em 84% na França e em 81% na Inglaterra.
Está chegando a era das formigas e acabando a das cigarras. Esses governos, a começar pelo grego, terão que se ajustar, promovendo um gigantesco esforço para cortar os seus gastos.
O sonho do Euro e da União Européia – em que jamais acreditei – está seriamente ameaçado.
No Brasil, graças ao bom trabalho do Banco Central, ainda não sofremos esse tipo de ameaças, mas, a julgar pela idolatria aos gastos públicos do governo Lula, caso a candidata de seus sonhos vença as eleições, nosso dia também chegará. Estamos copiando o mau exemplo que vem de fora.

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RUMO AO COMUNISMO? PAREM COM ISSO...
09/02/2010

Os caras são mesmo insistentes. E cegos, porque só quem não enxerga pode ser comunista nos dias de hoje, após tantas experiências fracassadas durante o século passado. E são, logicamente, burros, porque, se errar é humano, insistir e persistir incessantemente no erro é burrice.
Refiro-me à tentativa de criação, por parte do núcleo (ainda) mais atrasado do PT, do “Conselho Nacional de Política Externa”, para funcionar paralelamente ao Itamaraty, que será apreciada no congresso do partido dos companheiros barbudos, entre os dias 18 e 21 deste mês. Em fevereiro, como podemos ver, além do carnaval, há festas jurássicas regadas por boa comida e bebida, pois os sujeitos podem ser socialistas, mas sempre gostaram do bom e do melhor...
A proposta contém as sandices de sempre, comuns à esquerdopatia dominante, como a participação de ONGs, sindicatos e os famigerados “movimentos sociais” na formulação da política externa nacional. Vale dizer que tais órgãos consultivos vêm se multiplicando desde que os petistas chegaram ao poder, pois se trata de uma velha tática comunista de usar o pretexto de uma pseudo “participação popular” para, além de prover empregos em profusão para a “companheirada”, estabelecer o sistema de sovietes de forma crescente, até que, em suas doentias cabeças, tomem o poder e instalem a ditadura do proletariado no país de Macunaíma. Tal como o amiguinho deles fez na Venezuela.
O recente projeto do PDH3 – uma aberração! -, os conselhos já existentes na saúde e na educação e as tentativas (até agora fracassadas) de criar o CNJ e o ANCINAV fazem, obviamente, parte desse projeto ensandecido.
Dizem muitas línguas – não sei se boas ou más – que essas propostas são tentativas, por parte dos dinossauros (ainda) mais radicais do PT de “empurrar” a candidata Dilma mais para a esquerda. Como se ela já não fosse uma radical de esquerda desde a juventude...
Esses conselhos precisam ser rejeitados veementemente por todos os que julgam que a democracia, com todas as imperfeições que possui, é a melhor maneira de se organizar uma sociedade! Chega, sinceramente, a provocar raiva ter que comentar, em pleno ano de 2010, a nova panelinha proposta para funcionar paralelamente ao Ministério das Relações Exteriores... Afinal, já temos o ministro Amorim - campeão de viagens internacionais -, o secretário especial Marco Aurélio Garcia – aquele dos gestos obscenos - e, por trás dos panos, mas, segundo os especialistas na área externa, ditando as cartas, o embaixador Samuel, ou seja, três índios para um só apito. E agora querem entregar o apito também a ONGS (de esquerda, naturalmente), à CUT e outros sindicalistas raivosos assemelhados e ao MST, como se essas “entidades” (não espirituais) representassem de fato o pensamento da sociedade brasileira.
Parem com isso!
Esses caras até agora não engoliram a vitória de Piñera no Chile...

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E A ESTUPIDEZ CAMPEIA...
13/01/2010

Parece que, antecedendo a Copa do Mundo de futebol que será disputada neste ano, já está em pleno curso outra competição, também em nível internacional - o campeonato global da estupidez explícita!
Na Venezuela, o estupidarrão-mor Chávez – a Gralha de Caracas, atual campeão e favorito ao título - decretou o câmbio múltiplo e, não satisfeito, promoveu maxidesvalorizações nas duas novas taxas criadas, uma proeza formidável, que a um só tempo fará explodirem os preços, aumentará a corrupção e provocará escassez ainda maior do que a existente, já que a demanda, no susto, aumentou substancialmente e a economia do país depende quase que exclusivamente de importações. Não satisfeito – e talvez com um olho em algum simétrico ao Nobel de Economia – colocou a sua Guarda Nacional para tomar conta das empresas que ousarem aumentar os seus preços. Haja estupidez!
Na Argentina, a Senhora K, presidente do país, resolveu, por razões políticas, que o Banco Central deveria usar as reservas internacionais para pagar dívidas do governo e, como o presidente da instituição, Martín Redrado - que tem mandato até setembro deste ano e só pode ser exonerado pelo Congresso - recusou-se a fazê-lo, demitiu-o por decreto, além de processá-lo, o que levou o Judiciário argentino a conter seu furor exoneratório e manter Redrado no cargo. Outra formidável estultice!
Em Cabinda, os terroristas do grupo Flec, a Frente de Libertação do Estado de Cabinda, assumiram a responsabilidade pelo ataque contra o ônibus que transportava a seleção do Togo, que estava na região para a Copa Africana de Nações. O chefe dos bandidos confessou que o ataque ocorreu por engano, já que seu alvo não era a seleção do Togo, mas a de Angola, país de quem o grupo quer se separar. Quanta inaptidão!
E no Brasil a insensatez não ficou por menos. Entre inúmeras demonstrações de maluquice, podemos salientar duas. A primeira é o tal “Programa Nacional de Direitos Humanos”, uma verdadeira constituição bolivariana que, entre outras perigosas idiotices, enfraquece o Judiciário, acaba praticamente com o direito de propriedade, proíbe o uso de símbolos ou nomes religiosos em espaços públicos, dá um golpe fatal na liberdade de imprensa e de expressão e defende abertamente o aborto. Esse documento atesta que a estupidez dos artífices dos “direitos dos manos” - de ideologia -, que parecera ter atingido o seu ápice quando da proposta de uma “Comissão Nacional da Verdade”, imediatamente rechaçada pelos ministros militares, mostrou que poderia se auto-superar. O programa, que Lula diz ter “assinado sem ler”, fato, aliás, que por si só já deveria ser suficiente para desqualificá-lo para o cargo mais importante do país, é uma séria ameaça aos princípios democráticos mais rudimentares. Os sujeitos são portadores de uma esquerdopatia tão ensandecida que – apenas para ficarmos com a questão dos símbolos e nomes religiosos – a cidade e o estado de São Paulo teriam que mudar o nome para “Paulo”, Santa Catarina para “Catarina”, o São Paulo FC para “Paulo FC”, a estátua do Cristo Redentor deveria ser retirada do alto do Corcovado e as cidades de Santos, São Salvador e Bom Jesus do Itabapoana, entre centenas de outras, teriam que arranjar outros nomes... A imbecilidade da ditadura das minorias não tem mesmo limites!
A segunda burriquice do país de Macunaíma vem do outrora respeitado Ipea. Seu atual presidente, o petista militante Marcio Pochmann, divulgou um “estudo” que sustenta que, se o Brasil mantiver a política econômica e social que vem sendo executada desde que El-Rei Dom Luiz Inácio I (e – esperamos - Único) chegou ao poder, no ano de 2016 a miséria ou pobreza extrema, arbitrariamente definida para famílias com renda per capita de um quarto de salário mínimo, isto é, de R$ 127,50 por mês, deverá ser zerada. E que a taxa de pobreza, discricionariamente demarcada para unidades familiares com renda per capita de meio salário mínimo, ou seja, de R$ 255,00 mensais, deverá recuar dos 28,8% de 2008 para 4%, mesmo nível dos países desenvolvidos. Que maravilha! O estudo está sendo criticado por todos os “especialistas em pobreza” (que parece ser um novo ramo de economistas), por diversas razões. Fiquemos apenas com uma: será, porventura, que uma renda per capita de R$ 127,51 (em vez de R$ 127,00) torna o seu titular livre da miséria, ou que R$ 255,01 por mês (ao invés de R$ 255,00) faz alguém deixar de ser pobre?
A insensatez, quando guiada por ideologia, torna-se ainda mais insensata!
Sem dúvida, a estupidez campeia...

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QUAL SERÁ, AFINAL, A POLÍTICA ECONÔMICA DE SERRA?...
05/01/2010

O jornalista Raymundo Costa começa sua coluna no jornal Valor Econômico de hoje, com o título “Serra quer mudar sem mexer no tripé”, exatamente assim: “Num país onde a popularidade do presidente é essencialmente atribuída ao êxito da política econômica, o governador José Serra, virtual candidato do PSDB à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é uma voz dissonante. Não raro é possível ouvir Serra dizer que a situação macroeconômica "está péssima". Ele nunca escondeu sua implicância com juros altos e câmbio sobrevalorizado. Mas nunca deixou clara a saída que pretende adotar sem fazer desmoronar o tripé câmbio flutuante, responsabilidade fiscal e meta de inflação”.
Eis aí o problema. E é um baita problema, com duas faces!
Qualquer cidadão tem o direito de concordar ou discordar da política econômica de qualquer governo, mas nossa preocupação é que Serra vem criticando a política econômica desde o governo de Fernando Henrique, em especial o binômio juros “elevados” e câmbio “sobrevalorizado”. Serra foi crítico do Banco Central de Armínio Fraga e continua sendo crítico do Banco Central de Henrique Meirelles. Até aí, nada demais, porque as políticas de ambos são semelhantes – para não dizermos idênticas. A primeira face do problema é que, ao criticar ambos os governos, mesmo sendo o primeiro do PSDB, o seu partido, Serra parece querer marcar posição como economista “de esquerda” ou, como eles preferem se autodenominar, “desenvolvimentista”, algo que até Lula, intuitivamente, deixou de lado desde que foi eleito pela primeira vez. Os “desenvolvimentistas”, desde Getulio, passando por JK e até os “congeladores” de preços dos anos 80 e início dos anos 90, quebraram o país.
A segunda ponta do problema é pior: se você critica alguma política, deve apresentar a sua alternativa a ela. E Serra nunca fez isso, mas afirmações genéricas de que é contra juros “altos” e taxa de câmbio “sobrevalorizada”. Irá ele, caso eleito, baixar a taxa Selic na marra? Voltará o seu Banco Central a controlar a taxa de câmbio, seja fixando-a, seja com “bandas”? E como fazer isso sem mexer no famoso tripé câmbio flutuante, responsabilidade fiscal e inflação dentro da meta?
Nada mais natural se um aluno meu tiver essas dúvidas. E nada mais preocupante se o candidato a presidente que lidera as pesquisas as tiver.
Quando Benjamin Franklin afirmou que "a pior decisão é a indecisão" estava, quando pensamos em Serra, coberto de razão...

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