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UBIRATAN IORIO
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"Não existe uma escolha entre inflação
e desemprego pela mesma razão que
não se pode escolher entre comer demais
e ter indigestão"

(F.A. Hayek)

"Imprimir ordem na desordem consiste,
precisamente, na realização adequada
do Bem, que é medida suprema
de todas as coisas"

(Giovanni Reale)

"

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UM SENADOR SINCERO...
04/08/2011

Ontem à noite, em um jornal da TV, um senador do PR, da chamada bancada “evangélica”, declarou ter chegado a hora de se parar com essas demissões no ministério dos Transportes, porque, segundo sua concepção, “desse jeito Brasília iria ficar vazia”...
Uma declaração sincera, mas, seguramente, infeliz e que não condiz com os valores morais que o Evangelho estabelece para todos e, em especial, para quem ocupa importantes cargos públicos. Além disso, injusta para com as pessoas que vivem naquela cidade – que, para mim, é insuportável -, mas que são gente de bem, trabalhadoras, honestas e que cumprem com os seus deveres.
. Teria sido mais correto se o referido político tivesse afirmado algo como “desse jeito, o Congresso e aqueles pavorosos prédios da Esplanada dos Ministérios, bem como o palácio do Planalto, iriam ficar vazios”.
Como isso seria bom para o país, Excelência, especialmente para os pagadores de tributos!
Sempre achei Brasília uma aberração, uma cidade concebida para ser uma ode à burocracia, um soneto à corrupção e um hino à malversação do nosso dinheiro. E assim foi desde que JK resolveu que “aquilo” seria o condão mágico que iria trazer para o presente o futuro do país do futuro. É ou não é verdade? Alguém já calculou a relação custo/benefício de Brasília para o país, desde a sua construção até hoje? Desconfio que tenda a mais infinito...
Parabéns por sua sinceridade, senador. Mas ela é insuportável!

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O CAMPEONATO DE INSENSATEZ
26/07/2011

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, entre uma e outra demonstração de que a teoria econômica que povoa sua cabeça parece ser, com o decorrer do tempo, como os rabos dos cavalos – cresce para baixo! – se declarou “apreensivo” pelo rumo que as negociações para a elevação do teto da dívida pública do governo dos Estados Unidos estão tomando. Disse ainda esperar “sensatez” na solução, chamando de "marcha da insensatez" o processo nos EUA. Vejam só a que ponto de incongruência chega nosso ministro: "Eu torço para que eles resolvam essa situação. Seria ruim para o mundo todo um default (dos EUA). O governo (norte-americano) não terá como pagar as dívidas, os serviços públicos, nem os investimentos. Seria uma grande insensatez se não conseguissem resolver esta situação", disse na abertura do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).
Em um ponto o homem está certo: o “processo” nos EUA é mesmo uma insensatez! Isto para não dizermos uma imoralidade. Mas, ao defender a proposta populista de Obama – o Lula que estudou e que fala inglês -, Mantega está, embora sua compreensão da economia não vá além de um ou dois semestres de meus estudantes na UERJ, defendendo o aumento da insensatez! Com efeito, a dívida pública total do governo dos EUA atingiu em 2010 o total de US$ 14.02 trilhões, enquanto o total das receitas federais chegou a US$ 2.16 trilhões...
Melhor faria nosso ministro se cuidasse melhor das contas do governo brasileiro, que mostram vergonhosa maquiagem via Petrossauro e BNDES. O caso americano terá um desfecho dramático, porque nem o governo da economia mais rica do mundo pode gastar acima do que arrecada durante décadas. Mesmo que a proposta do outrora “salvador da pátria” Obama de elevar o teto da relação dívida pública/PIB seja aprovada, o máximo que irá produzir será um adiamento do inevitável ajuste de contas, que já vem sendo feito, aliás, há bastante tempo.
E o custo desses sucessivos adiamentos, tanto em termos puramente financeiros como em termos de desemprego e inflação, é notoriamente crescente com o tempo.
Onde vamos parar, eles lá e nós aqui? Quem será o campeão da insensatez?
Ah, como fazem falta cursos de Austrian Economics nos currículos das universidades!

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FUSÃO E CONFUSÃO
29/06/2011

Os grupos Pão de Açúcar – leia-se Abílio Diniz – e Carrefour anunciaram uma fusão que cria uma empresa com faturamento anual de R4 65,1 bilhões, apenas inferior ao da Petrossauro (R$ 213,2 bilhões) e ao da Vale (R$ 83,2 bilhões). A nova empresa, se a fusão passar pelo crivo do Cade, terá 32% das vendas do varejo no Brasil. Até aqui, são números, apenas números.
Mas o que está por trás deles é aterrador.
Bem, o Novo Pão de Açúcar terá como sócios o BTG Pactual e – aí é que está o problema – o BNDES, isso mesmo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e “Social”, que colocará no negócio nada mais nada menos do que R$ 4 bilhões! Nada a opor a fusões privadas, mas, quando entra dinheiro público, não posso permanecer quieto!
Como a aprovação do negócio ainda precisa do aval das autoridades brasileiras e do grupo francês Casino, que é sócio do Pão de Açúcar desde 1999 (e com quem Abílio Diniz sequer negociou a operação), ainda há esperança de que mais esta investida do capitalismo de estado sobre o cidadão brasileiro não venha a concretizar-se.
O BNDES apela para um motivo “nacionaleiro” para entrar no negócio, o de que, ao fazê-lo, estará “abrindo mercado” para produtos brasileiros. De minha parte, o BNDES, simplesmente, deveria ter sido extinto há muito tempo: é estímulo permanente à politicagem, ao tráfico de poder e aos maus empresários e um desestímulo à verdadeira função empresarial ensinada pela Escola Austríaca de Economia.
Assim funciona o capitalismo no Brasil, sempre dependendo do estado. Assim são os grandes empresários brasileiros, sempre se abrigando à sombra do estado. Assim é a economia brasileira, sempre pegando uma carona no trem-fantasma do estado. Capitalismo sem riscos, eis uma de nossas características. Acho que não preciso escrever mais nada sobre o assunto. Todos entenderam.
Como diria o Boris Casoy, isto é uma vergonha!


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UM FILME MUITO ANTIGO
17/03/2011

Tenho visto na mídia expressões do tipo “a inflação está de volta”, “a inflação ameaça estourar a meta” e outras semelhantes. Parece um velho filme. Em preto e branco - e mudo. Remetem-nos também à época do cinema mudo a postura do ministro da Fazenda e seus súcubos heterodoxos e – o que é muito preocupante – ao que parece, a atitude do Banco Central pós-Meirelles de adotar uma política monetária tímida diante do problema, preferindo recorrer a medidas paliativas incapazes de derrubar com vigor a inflação, tais como controles aqui e ali, um apertinho acolá e ameaças de restrições mais além. Enfim, desconfio que a autonomia do Banco Central, que Lula teve o mérito de assegurar, já foi para o espaço neste início do novo governo.
Para mim – bem como para qualquer economista conhecedor da Escola Austríaca de Economia – a “volta” da inflação não representa nenhuma novidade. Aliás, não se trata propriamente de uma “volta”: a inflação começou no segundo mandato de Lula, quando o governo decidiu que a candidata oficial teria que vencer a eleição presidencial a qualquer preço. Assim como uma gripe só se manifesta algum tempo depois de contraída, somente agora os índices de preços, que são os sintomas da inflação – mostram os seus dentes. Desde o segundo semestre de 2008, sob o pretexto de “enfrentar a crise internacional”, o governo, simplesmente, recorreu à inflação, com uma irresponsável expansão no crédito ao consumidor e nos gastos públicos.
Cansei-me de escrever que Lula deixaria com toda a certeza uma bomba-relógio para quem viesse a sucedê-lo. A bomba está aí. Já explodiu. E tanto a Fazenda como o Banco Central parece que ainda não entenderam isso a acham que podem desarmá-la com as velhas pajelanças keynesianas...
Haja paciência para aturar o que vem aí pela frente. E haja mais resignação ainda para, por dever de ofício, ser obrigado a escrever e a falar sobre o que nos reservam para o futuro a ganância eleitoreira dos políticos e a incompetência dos economistas intervencionistas do governo!

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